Por uma vida menos ordinária

Foto: Brooklyn Morgan

OU: “Explicando A busca

Tentar explicar um projeto de vida não é uma tarefa fácil. Ou melhor, é. Mas como tudo na vida, a gente acha que devia ser mais difícil e desconfia do caminho simples.

Antes mesmo do começo, gostaria de recomeçar, sempre. A busca é um projeto tão grande e tão abrangente, porque seria impossível para mim me ater à uma coisa pequena.

Um dia, eu acordei sentindo a necessidade de chutar o balde. Eu precisava de um novo começo. Eu decidi encarar esse novo começo como um projeto de vida.

O que tem atrás do sonho?

Eu chamo de busca, essa grande falta de não sei o quê todos nós sentimos em alguns determinados momentos da vida. É fácil perceber que algo nos falta quando ainda estamos caminhando. Mas e quando chegamos ao fim, quando realizamos o nosso sonho, essa falta vai embora?

Às vezes eu me pegava perguntando o que tinha atrás do sonho, como quando a gente se pergunta se tem vida após a morte. Tem vida após o sonho? Se tudo der certo, vai ter! E você vai ter um sonho realizado. Mas, e aí?

Ter tudo o que eu sempre quis dá conta de me fazer feliz?
Nós somos maquininhas de converter oxigênio em dióxido de carbono providas de uma chavinha chamada “livre arbítrio” ou, como eu gosto de chamar “insatisfação crônica”. Isso significa que podemos escolher um sem fim de coisas além de nossos instintos básicos, e qualquer um que já tenha passado frio em  frente à uma prateleira de supermercado tentando escolher um yogurte vai entender o problema que isso significa. Podemos ser muita coisa. Podemos ser grandes.

Mas sermos “ grandes” é tanto um privilégio, quanto uma responsabilidade. Sempre teremos a opção de ficarmos no “lugar comum” onde os resultados são certeiros. Podemos passar a vida usando a necessidade de segurança como desculpa pra jamais assumirmos o papel de protagonistas das nossas próprias vidas. Tem muito mais vaga para figurante.

A questão é: quando você chegar ao final do caminho, ao sonho, aos resultados, você vai se dar por satisfeito?

“A Busca” é um projeto onde eu tento aprender a amar o processo, mais do que o resultado. Processo de descobrir o que me falta, de chegar aonde quero, da criação da minha história em si. O processo de descobrir e preencher essa falta comum à todos nós. De substituir o tédio de viver uma vida vazia, por viver uma vida cheia de significado.

A gente sempre vai tentar matar esse tédio. A gente vai procurar ter, a gente vai procurar parecer, a gente vai procurar sentir… se a gente não parar pra se perguntar qual é a real necessidade que não estamos suprindo, essa fome não vai acabar nunca. Vamos consumir as nossas vidas e elas não vão fazer sentido algum.

Quero descobrir outras formas de morar, trabalhar, consumir, me relacionar com as pessoas e com o meio, de me alimentar, de me reconectar e de levar a vida. E quero compartilhar com qualquer pessoa disposta a implementar uma grande mudança, através de coisas simples.

Ps: Eu acredito que o caminho é a própria resposta para muitas perguntas existenciais, e por isso a busca não tem fim. 😉

Agora, me conta, o que você tem feito pra chegar mais perto da felicidade? O que você tem buscado? OU MELHOR: Por onde você tem buscado ser feliz?

Anúncios

O diário da busca: Introdução

mochileiro

Você já teve, por um milésimo de segundo, a certeza de que dos milhões de quilômetros quadrados da superfície da Terra, você escolheu o km² certo, e que dos 7 bilhões de seres humanos, você está na melhor companhia possível, no timing perfeito?

Pode ser que você já tenha encontrado plenitude completamente sozinho, no alto de uma montanha ou num banquinho de praça. E tenha sido capaz de tomar conhecimento desse momento e estar realmente presente.

Se você nunca se sentiu assim, eu quero te garantir, com toda a certeza desse universo: Isso existe. É possível!

Gosto de chamar isso de contentamento.

Você pode chamar isso de  f e l i c i d a d e.

quote 1
 A parte difícil não é acreditar que esse contentamento existe, é saber manter esse sentimento ativo em nossas vidas. Como estar em paz com o “aqui e agora”? Como, no meio do caos da vida moderna (de todas as distrações, de todos os problemas) eu poderia me considerar um ser completo, presente, feliz?

Carrego comigo a desconfiança de que esse sentimento não tem a ver com qualquer fator externo. Talvez a felicidade esteja mais para um estado de espírito que muda as coisas a nossa volta, do que para momentinhos isolados da nossa vida, causados por eventos externos.

Quando “A busca” nasceu, eu definitivamente não me sentia feliz.

O colapso

Eu estava novamente chorando sentada na calçada de uma casa desconhecida, no telefone com a minha mãe, informando que eu abandonaria a faculdade faltando 1 ano para acabar. Eu parecia um zumbi. Eu não tinha força pra continuar, e nem queria ter.

Drama à parte, eu estava exausta. Minha ambição, paixão e devoção pelo que eu considerava o único futuro possível me consumiram completamente. Há tempos eu estava desconectada de mim mesma. Não me reconhecia no espelho.

Era necessário o colapso para eu de fato enxergar que aquela situação não me fazia feliz.

No budismo, diz-se que o estado de escuridão fundamental (presente de alguma forma em todos nós) é o mais próximo da iluminação (adivivinhe! Presente em nós também).
Só quando você não tem mais para onde descer, é que resolve que tem que subir.

Ou, como eu costumo dizer: no fundo do poço tem uma mola. Rs.

Porque comecei a “buscar”

Depois de muitas conversas com a minha maior parceira de brisas, percebemos que estávamos descontentes com o rumo que nossas vidas iam levando. Sabíamos em nossos íntimos que não só queríamos, como merecíamos mais do que “pay bills and die”.

Ambas (e todxs a nossa volta) estávamos numa corrida louca e sem freios atrás do “Tudo o que eu sempre quis” tradicional. Estudávamos/trabalhávamos (ou nos matávamos/nos matávamos) e tínhamos pouquíssimo tempo pra qualquer outra coisa. Qualquer outra atividade não relacionada com nossas futuras carreiras era vista como desperdício de tempo. Dormir, inclusive.

Mas nós duas tínhamos também um agravante que não conseguíamos ignorar: NÓS SABÍAMOS O QUE ERA FELICIDADE!

Já tínhamos sentido a sensação descrita ali em cima. Sabíamos bem o que era se sentir presente e o que era QUERER ALGUMA COISA. Acordar de manhã animada com o dia que viria pela frente, ou tranquila com as decisões tomadas – essas eram sensações que conhecíamos muito bem. E que estavam longe do que vivíamos naquele momento.

Daí começa uma pesquisa interna: porque no auge de nossos 20 anos nós não estamos felizes?

Porque é assim, não é? Aos 20 deveríamos nos jogar com entusiasmo na faculdade, trabalhar como loucas, mas completamente motivadas. Chegar em casa cansadas, mas com sentimento de dever cumprido. Amar cada conquista. Amar cada segundo da batalha diária pela carreira brilhante, pelo currículo exemplar, para ser uma em um milhão e “ser alguém na vida”!

Não era isso o que vivíamos e não era isso que buscávamos de verdade. O que nós buscávamos ainda não tinha nome, e por isso mesmo chamei de “A busca”.

Isso pra mim traduz bem a vida. Eu vejo a vida como uma busca de sentido em que todos, sem discriminação, estamos envolvidos. Não importa onde você nasceu, como foi criado, o que faz dos seus dias. Você está constantemente buscando algo que ainda não tem nome. Você sente fome de uma coisa que não sabe o que é. E quanto mais se alimenta da coisa errada, mais fome sente.

Insatisfação crônica

Existe também uma força que nos move internamente, que eu chamo de insatisfação crônica*. Uma coisa que pode matar todos os sonhos em você, ou que pode te levar pra direção certa, ainda que essa direção seja contra a corrente.

*Termo tirado do filme “Vicky Cristina Barcelona” de 2008. Possíveis disacordos á parte, gostaria de agradecer Woody Allen. Pelas referências e por tudo.

Se você só tenta matar sua fome-não-sei-do-quê com qualquer coisa que venha pela frente, só vai se sentir mais insatisfeito. E acumular coisas e experiências que não servem pra nada. É assim que o capitalismo usa as pessoas. Colocando coisas entre você e o seus verdadeiros desejos.

Pode ser que você se mate de trabalhar e não tenha muito tempo pra buscar o que te completa. Aí você vai achar que TER coisas pode ser uma boa forma de preencher esse vazio. Talvez você busque em um parceiro essa parte que te falta (a metade da laranja!), sem conseguir nunca se sentir completo. Pode ser que você coma muito. Pode ser que malhe muito. Talvez você use drogas. Talvez você adote uma religião louca. São muitas as formas de ignorar essa “incompletude”, de nunca se perguntar o que, de fato, te faz tanta falta.

Mas, se um dia você resolver romper com tudo o que não tem feito efeito, e decidir ir atrás de responder essa pergunta… talvez você esbarre nessa felicidade da qual a gente tanto fala. 😉

céu estrelado

Pare de correr!

Todos nós (principalmente os que moram em grandes centros urbanos, caóticos e poluídos) temos a ilusão da grande e milagrosa mudança. Um affair com a idéia de que sair de nosso meio, mudar de país ou de paisagem nos faria mais felizes. E sem dúvida: faria.

Mas por quanto tempo?

Existe uma verdadeira legião de wanderlusts por aí. Apaixonados por viajar e conhecer o mundo. E com toda a certeza, viajar nos dá outra perspectiva da vida. Torna os nossos probleminhas cada vez menores e nos torna gratos pela nossa existência.
Mas tão logo desfazemos as malas, nos esquecemos de tudo o que vivemos e nos sentimos infelizes novamente com a nossa rotina. Daí é fácil relacionar a infelicidade com o meio em que vivemos. Existe um fato sobre o ser humano que eu considero a origem de tudo o que chamamos de problema: o ser humano tem a memória curta.

E se eu te garantir que o único problema da sua vida atual são as distrações que ela te oferece?

Mudar o cenário ajuda, claro, mas nunca vai te livrar das suas questões existenciais, daquela sua fome. Essa falta que sentimos nos acompanha em qualquer lugar, circunstancia e situação financeira.

Quando você volta de uma grande experiência, ou de um grande momento de felicidade, você se esquece – não do que aconteceu – mas do olhar que você teve para a vida naquele momento. Você se esquece do seu estado de espírito, de como se sentiu confiante, entusiasmado, ou calmo, ou corajoso.

E deixa eu te contar uma coisa: o que te fez feliz não foram as circunstancias. Foi esse seu estado de espírito. Esse estado de espírito que não coube na mala e que você não trouxe para a sua “vida normal”. E provavelmente você se lembra de tudo como uma grande maravilha, porque não estava prestando atenção ou se importando com os pontos negativos, não porque eles não existiram!
Sua disposição para passar por situações novas, difíceis ou até por perrengues mesmo (rs) é muito maior quando você já deixou sua zona física de conforto.

Então, porque não sair da sua zona de conforto psicológica? E se todo dia você desafiasse um conceito pré formado, um medo seu, uma coisa que você considera uma limitação?

O segredo da grande mudança de vida, para mim, consiste em trazer a sua vida a cada dia mais pra perto dessa que você sonha em ter. Se precisar mudar geograficamente, mude!

Mas sem esquecer de romper com os limites da sua zona de conforto mental!

Um chamado final

Você pode passar sua vida confortavelmente ignorando a vontade que tem de conhecer a si mesmo e buscar seu propósito de vida. Adiando cada um dos seus sonhos em prol de um hoje mais seguro e mais confortável. Você pode passar a vida sem se sentir realmente presente e contente em nada do que realizar, mas seguro dos resultados medianos que obterá. Você tem o direito de escolher viver assim…

Oooooou, você pode ter a idéia de se perguntar que falta é essa que você sente. Você pode questionar a sua insatisfação. Olhar com verdade pra cada aspecto da sua vida e encontrar o que não te satisfaz. Buscar o que te faça pular da cama. Encontrar mil coisas que possa mudar no seu dia-a-dia, que te tragam mais pra perto da vida que você deseja (depois que descobrir qual é).  Você pode transformar a sua vida numa incerta, mas com certeza enriquecedora busca do seu sentido de vida. O que te trouxe aqui? O que te faz se sentir vivo?

Será que você realmente quer “tudo o que sempre quis”? Se quer, será que isso é suficiente pra te fazer completo?

Estou aqui pra fazermos juntos todas essas perguntas. E, quem sabe, encontrar  algumas respostas!  😉